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O custo invisível de NÃO usar jigas de teste

  • Foto do escritor: Laís E. Chaves
    Laís E. Chaves
  • 16 de jan.
  • 4 min de leitura

Em muitas operações industriais, especialmente na eletrônica, o teste ainda é tratado como uma etapa secundária, algo que pode ser feito “na bancada”, com instrumentos manuais e decisão do operador. À primeira vista, isso parece reduzir custos.


Na prática, é exatamente o contrário.


O custo de não usar jigas de teste surge de forma recorrente em:

  • retrabalho

  • devoluções

  • falhas em campo

  • variação de qualidade

  • dependência de pessoas

  • perda de escala

  • desgaste da reputação da empresa


Este post mostra, de forma técnica e aplicada, onde esse custo invisível nasce, como ele se propaga ao longo do processo produtivo e por que jigas de teste são infraestrutura industrial essencial, e não acessórios.


O custo invisível de NÃO usar jigas de teste.
O custo invisível de NÃO usar jigas de teste.

O erro comum: confundir “testar” com “medir”


Medir com multímetro, fonte e osciloscópio não é o problema. O problema é depender disso como processo produtivo.


Testes manuais normalmente envolvem:

  • conexão manual de pontas de prova

  • sequência de testes não padronizada

  • interpretação humana do resultado

  • ausência de registro estruturado

  • variação entre operadores


O teste até acontece, mas o processo não existe.


Sem processo, não há repetibilidade. Sem repetibilidade, não há qualidade industrial.



Onde nasce o custo invisível


1️⃣ Variabilidade de teste (o inimigo silencioso)


Sem jiga de teste:

  • cada operador conecta de um jeito

  • a pressão de contato varia

  • o tempo de estabilização muda

  • a ordem das medições não é fixa


O mesmo produto pode passar em um turno e falhar em outro.


➡️ Isso gera falsos positivos (produto ruim aprovado) e

➡️ falsos negativos (produto bom reprovado).


Ambos custam caro.



2️⃣ Retrabalho constante (e normalizado)


Quando o teste não é padronizado, o retrabalho vira rotina:

  • placa “reprovada” sem erro real

  • ajuste empírico

  • novo teste

  • nova decisão subjetiva


O tempo perdido raramente é medido, mas ele existe todos os dias.


➡️ Retrabalho é custo direto de mão de obra

➡️ e custo indireto de atraso e estresse operacional.



3️⃣ Falhas em campo (o custo que explode depois)


Produtos aprovados com testes frágeis falham fora da fábrica:

  • devoluções

  • garantias

  • suporte técnico

  • deslocamento

  • desgaste com o cliente


Esse é o custo mais perigoso, porque:

  • ocorre longe da engenharia

  • impacta a imagem da marca

  • afeta contratos futuros


➡️ Uma falha em campo custa ordens de grandeza mais do que um teste bem feito.



4️⃣ Dependência extrema do operador


Sem jiga de teste:

  • o operador “sabe testar”

  • treinamento é empirico

  • substituição é lenta


Isso cria um risco operacional grave:

➡️ Quando a pessoa sai, o processo vai junto.


Jigas de teste transferem conhecimento do indivíduo para o sistema.



5️⃣ Impossibilidade de rastreabilidade real


Sem jiga (e sem software integrado), normalmente não há:

  • vínculo com número de série

  • histórico por lote

  • dados por etapa

  • análise estatística confiável


Sem rastreabilidade:

  • não se identifica causa raiz

  • não se melhora o processo

  • não se atende auditorias com segurança


➡️ Teste sem dado é apenas um ritual.



O que uma jiga de teste realmente entrega (além do óbvio)


Reduzir o papel da jiga a “um suporte com agulhas” é subestimar seu impacto.


Uma jiga de teste bem projetada entrega:

  • repetibilidade mecânica e elétrica

  • padronização do contato

  • tempo de teste previsível

  • redução de variáveis humanas

  • base sólida para automação

  • dados estruturados para análise


Ela transforma teste em processo industrial controlado.



Jiga de teste é o divisor entre protótipo e indústria


Produzir poucas unidades sem jiga pode até funcionar. Escalar produção sem jiga não funciona.


Sem jiga de teste:

  • o tempo cresce de forma não linear

  • a qualidade cai com o volume

  • o custo por unidade aumenta

  • o gargalo aparece no teste


➡️ Jiga de teste é o ponto de virada entre bancada e fábrica.



O impacto financeiro real (mesmo quando ninguém calcula)



Empresas que não usam jigas de teste pagam, todos os meses:

  • mais horas de teste

  • mais retrabalho

  • mais refugo

  • mais falhas em campo

  • mais dependência de pessoas

  • mais dificuldade para crescer


Tudo isso somado costuma superar com folga o investimento em uma jiga bem projetada.


O problema é que esses custos:

  • estão diluídos

  • não aparecem como “linha única”

  • são tratados como “normal do processo”


Mas não são normais. São evitáveis.



Quando a jiga vira vantagem competitiva


Empresas que adotam jigas de teste corretamente percebem:

  • redução consistente de falhas

  • previsibilidade de produção

  • dados confiáveis para melhoria contínua

  • facilidade para atender clientes exigentes

  • melhor posicionamento em auditorias


➡️ A jiga deixa de ser custo e passa a ser ativo estratégico.



Conclusão


O maior erro não é não ter jiga de teste. O maior erro é achar que não precisa.


O custo invisível de não usar jigas de teste aparece todos os dias:

  • na variabilidade

  • no retrabalho

  • nas falhas em campo

  • na perda de escala

  • na reputação da empresa


Jigas de teste não servem apenas para testar produtos. Elas servem para proteger o processo, o cliente e o negócio.


Jiga de teste não é custo. É investimento em qualidade, escala e confiabilidade industrial.


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